Olga Benario: He luchado por lo justo, por lo bello y por lo mejor del mundo

Hace dias que gravito en torno al fantasma de Olga Benario. Un personaje bellisimo, una vida admirable, una historia conmovedora que cala hondo, una historia de amor que todavia pesa, aunque ocurrio hace tantos años. Me ha hecho pensar y sentir tantas cosas.

Si quieren leer mas sobre ella ahi les va un buen website:http://www.culturabrasil.pro.br/olga.htm

Recomiendo ver la pelicula.

Aqui transcribo la hermosisima carta que escribio a su esposo y a su hija, en la vispera de su muerte a manos de los nazis. Tenia 34 años.

Ingles

I’ve been gravitating around Olga Benario’s ghost. A beautiful character, an admirable life, a touching story, a love story that still feels alive, despite the fact that it took place so many years ago. It  has made me feel and think so much….

If you want to read more, here is a good website:  http://www.rememberwomen.org/Library/Films/prestes.html

I recommend that you watch the movie.

I here transcribe the letter she wrote to her husband and daughter, before her death in a nazi concentration camp. She was 34 years old. 

(Sorry, no English version) 

 

Queridos: Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças - ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como o teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica… Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a idéia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte. Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Conformar-me-ia, mesmo se não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver me dado a ambos. Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz te sentes por nossa filha? Querida Anita, Meu querido marido, meu garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que me esforço para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nas últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas… Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijos pela última vez. Olga